O fundamento da esperança: Amor, justiça, verdade e liberdade - Textos de João Paulo II

O fundamento da esperança: Amor, justiça, verdade e liberdade

João Paulo II Passos

01/05/2003 - Eua e Iraque. Paz a vós!

A mensagem pascal Urbi Et Orbi. O grito pela paz encontra no anúncio da ressurreição de Cristo, a sua resposta certa. Domingo de Páscoa, 20 de abril de 2003

1. “Ressuscitou do sepulcro o Senhor, que por nós esteve suspenso na cruz”. Aleluia!
Ressoa jubiloso o anúncio pascal: Cristo ressuscitou, ressuscitou verdadeiramente!
Aquele que “padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”,
Jesus, Filho de Deus nascido da Virgem Maria, “ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (Credo).
2. Este anúncio é o fundamento da esperança da humanidade.
De fato, se Cristo não tivesse ressuscitado, seria vã não apenas a nossa fé (cf. 1 Cor 15, 14), mas também a nossa esperança, porque o mal e a morte a todos nos manteriam reféns.
“Mas não! - proclama hoje a Liturgia - Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1 Cor 15, 20).
Ao morrer, Jesus rompeu e venceu a férrea lei da morte, arrancando para sempre a sua raiz venenosa.
3. “A paz esteja convosco!” (Jo 20, 19.20).
Tal é a primeira saudação do Ressuscitado aos discípulos; saudação que hoje repete ao mundo inteiro. Ó Boa Nova tão esperada e desejada! Ó anúncio consolador para quem está oprimido sob o peso do pecado e das suas numerosas estruturas!
Para todos, especialmente para os pequenos e os pobres, proclamamos hoje a esperança da paz, da paz verdadeira, fundada sobre os sólidos pilares do amor e da justiça, da verdade e da liberdade.
4. “Pacem in terris...”
“A paz na terra, anseio profundo dos seres humanos de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus” (Enc. Pacem in terris, Introd.).
Com estas palavras, tem início a histórica Encíclica através da qual, há quarenta anos, o beato Papa João XXIII indicou ao mundo o caminho da paz. São palavras muito atuais na alvorada do terceiro milênio, tristemente obscurecida por violências e conflitos.
5. Paz no Iraque! Com o apoio da Comunidade Internacional, possam os iraquianos tornarem-se protagonistas de uma solidária reconstrução do seu país. Paz nas outras regiões do mundo, onde guerras esquecidas e conflitos tortuosos provocam mortos e feridos por entre o silêncio e o alheamento de grande parte da opinião pública. Penso, com profunda pena, ao rasto de violência e sangue que não dá sinais de querer acabar na Terra Santa. Penso na trágica situação de vários países do Continente Africano, que não pode ser abandonado a si mesmo. Tenho presente os focos de tensão e os atentados à liberdade do homem no Cáucaso, na Ásia e na América Latina, regiões do mundo que me são igualmente queridas.
6. Rompa-se a cadeia do ódio, que ameaça o desenvolvimento harmonioso da família humana. Deus nos conceda que sejamos livres do perigo dum dramático conflito
entre as culturas e as religiões. A fé e o amor para com Deus tornem os crentes de cada religião artífices corajosos de compreensão e de perdão, tecedores pacientes dum profícuo diálogo inter-religioso que inaugure uma nova era de justiça e de paz.
7. Como aos Apóstolos assustados na tempestade do lago, Cristo repete aos homens do nosso tempo: “Coragem, sou Eu, não tenhais medo” (Mc 6, 50). Se Ele está conosco, porque havemos de temer? Embora possa aparecer escuro o horizonte da humanidade, hoje celebramos o triunfo esplendoroso da alegria pascal. Se um vento contrário dificulta o caminho dos povos, se o mar da história se torna borrascoso, ninguém ceda ao pavor nem ao desânimo! Cristo ressuscitou; Cristo está vivo entre nós, presente realmente no sacramento da Eucaristia, Ele oferece-Se como Pão de salvação, Pão dos pobres, Alimento dos peregrinos.
8. Ó divina presença de amor, ó memorial vivo de Cristo, nossa Páscoa, Vós sois viático para quem sofre e quem morre, para todos sois penhor seguro de vida eterna! Maria, primeiro sacrário da história, silenciosa testemunha dos prodígios pascais, ajudai-nos a cantar, com a vida, o vosso “Magnificat” de louvor e agradecimento, porque hoje “ressuscitou do sepulcro o Senhor, que por nós esteve suspenso na cruz”. Ressuscitou Cristo, nossa paz e nossa esperança. Ressuscitou. Aleluia!

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