Para dar alegria às pessoas - Textos de Francisco

Para dar alegria às pessoas

Francisco L'Osservatore Romano

18/05/2017 - Meditações matutinas na Capela da Domus Sancte Marthae

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 21 de 25 de maio de 2017

«Obedece e dá alegria às pessoas»: eis a síntese eficaz da «missão cristã» proposta pelo Papa, que fez sua a dupla recomendação de um pai ao filho sacerdote nomeado bispo. Ele, explicou Francisco, «foi ter com o seu idoso pai para lhe dar a notícia». E «aquele homem, já aposentado, homem humilde» que fora «operário a vida inteira» e «não tinha frequentado a universidade mas possuía a sabedoria da vida», «aconselhou-lhe só duas coisas: “Obedece e dá alegria às pessoas”». Porque «aquele homem tinha entendido» bem o ensinamento das leituras da liturgia do dia: «Obedece ao amor do Pai, sem outros amores, obedece a este dom e depois dá alegria às pessoas». Portanto também «nós cristãos, leigos, sacerdotes, consagrados e bispos, devemos dar alegria às pessoas».

Para a sua reflexão o Papa inspirou-se em especial no trecho do Evangelho de João (15, 9-11). Descrevendo a cena, observou que «Jesus sugere mais uma vez o mandamento do amor». Em particular «neste trecho diz algo muito forte: “Assim como o Pai me amou, também Eu vos amei”». Por isso, «o amor com que Jesus nos ama é o mesmo com o qual o Pai o ama. Somos amados com este grande amor. É o grande dom do amor!». É por isso que, acrescentou, Jesus «nos admoesta: “Por favor, permanecei no meu amor porque é o amor do Pai”. É o grande amor». E dado que está consciente da objeção: “Mas Senhor, como podemos permanecer no teu amor?”, oferece também uma resposta concreta: “Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, como eu observei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”. Em síntese, esclareceu, «Jesus permanece no amor do Pai e pede-nos que permaneçamos no amor que Ele tem por nós».

Mas «como se permanece» neste amor? «Observai os mandamentos» é a resposta: «os dez», o decálogo que «é a base, o fundamento». São os preceitos, esclarece Jesus «que vos ensinei», ou seja «os mandamentos da vida diária, os pequenos mandamentos» que, «mais que mandamentos são um modo de viver cristão». Então, o Pontífice exortou a permanecer «neste modo de viver cristão, que são tais mandamentos». Como? «Por exemplo nas obras de misericórdia ou nas bem-aventuranças». Com efeito, embora seja «grande, muitíssimo longo o elenco dos mandamentos de Jesus», na realidade «o núcleo é um só: o amor do Pai por Ele e o amor dele por nós».

Por isso, continuou o Papa, o Senhor «pede-nos que permaneçamos no amor». Inclusive porque na vida «há outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: por exemplo, o amor pelo dinheiro, pela vaidade, pavonear-se, o amor pelo orgulho, pelo poder, até fazendo muitas coisas certas para ter mais poder». Mas em tal caso «há outros amores»; e «eles não são de Jesus, não são do Pai. Ele pede-nos que permaneçamos no seu amor, que é o amor do Pai».

A propósito, o Papa convidou a pensar «também nestes amores que nos afastam do amor de Jesus», assim como na existência de «outras medidas de amar»: como o «amar pela metade», que contudo «não é amar. Uma coisa é gostar, e outra é amar. Amar é mais que gostar». A ponto de nos perguntarmos qual é a medida do amor. E paradoxalmente a resposta é que «a medida do amor é amar sem medida». Só assim, com «estes mandamentos que Jesus nos deu, permaneceremos no amor de Jesus que é o amor do Pai. Sem medida». Não como qualquer outro tipo de amor que pode ser «tíbio ou interesseiro».

Prosseguindo a releitura da página evangélica, o Papa perguntou por que o Senhor recorda isto aos homens. «Para que a minha alegria esteja em vós e seja plena», é a resposta que vem diretamente do texto sagrado. Com efeito, «se o amor do Pai vem a Jesus, Jesus ensina-nos a via do amor: o coração aberto, amar sem medida, deixando de lado outros amores. O grande amor por Ele é permanecer neste amor; e há a grande alegria, que é um dom». Aliás, ambos, «o amor e a alegria são um dom». Há uma referência neste sentido também «na primeira oração da missa, quando pedimos: “Senhor, preservai este dom que nos destes”, o dom do amor, da alegria». E a tal propósito, o Papa citou o episódio do pai do sacerdote nomeado bispo. Eis, pois, por que os cristãos devem “dar alegria às pessoas”: por isso, por causa do amor, sem qualquer interesse, só por causa do amor. A nossa missão cristã é dar alegria às pessoas». O Papa concluiu com a invocação para que «o Senhor preserve este dom de permanecer no amor de Jesus para poder dar alegria às pessoas».

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